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Os antimaláricos hidroxicloroquina (HCQ) e cloroquina (CQ) demonstraram um potencial antiviral in vitro.

Diante da atual pandemia de coronavírus (COVID-19) todos esperam pelo desenvolvimento de uma vacina para o vírus. No entanto, a previsão para uma vacina eficaz é de 18 meses, segundo a OMS. Nesse contexto, pesquisadores e médicos de todo o mundo estão à procura de um medicamento para tratamento. O desenvolvimento de um novo medicamento é inviável no momento, visto que para isso testes toxicológicos e de segurança precisam ser realizados; e estes despendem muito tempo.  Dessa forma, o comum é testar drogas sabidamente seguras em humanos para verificar sua efetividade contra o vírus.

Já foram testados vários antivirirais, antimaláricos e antibióticos disponíveis no mercado. Os antimaláricos hidroxicloroquina (HCQ) e cloroquina (CQ) demonstraram um potencial antiviral in vitro. A HCQ apresentou menor toxicidade e maior segurança nesses estudos. No entanto, os estudos clínicos com pouco ou sem controles foram realizados em grupos muito pequenos para determinar efetividade em humanos.

Os dados sobre HCQ e CQ foram espalhados sem cautela para a população leiga, o que levou à compra desenfreada e sem prescrição médica destas drogas, zerando os estoques disponíveis nas farmácias. A HCQ e CQ também são usadas em tratamentos de doenças autoimunes, como por exemplo, no lúpus eritematoso sistêmico e na artrite reumatóide. A compra indiscriminada e a ausência nas farmácias dessa medicação, gera um problema para as pessoas que realmente precisam do tratamento. Além disso, esse comportamento acende um alerta importante pois muitos países já estão reportando envenenamento pelo uso sem acompanhamento médico. Essas drogas podem causar efeitos colaterais importantes como arritmias e toxicidade cardíaca. Sendo assim, a utilização deve seguir orientações médicas.

Já existem mais de 50 artigos científicos publicados (nas bases de dados) com as drogas em questão. Mas até o momento os resultados efetivos para o tratamento da infecção por COVID-19 ainda são inconclusivos. Por exemplo, um estudo na França, sem controle negativo e com muitas falhas utilizou a HCQ em combinação com azitromicina e sugere eficácia, enquanto um grupo na China, não observou nenhuma melhora na taxa de recuperação. Outros autores, aplicando modelo animal SARS-CoV demonstraram que a CQ não foi capaz de prevenir a replicação viral in vivo.

Os mecanismos para entender como CQ funcionaria também vem sendo questionados. Apesar de já existirem pesquisas dessa droga em SARS-CoV; são necessários mais estudos. Um aspecto descrito pela Nature Nanotechnology revela informações que, provavelmente, a CQ inibe a endocitose celular de nanopartículas assim como dos vírus. O mecanismo sobre nanopartículas sintetizadas já foi estabelecido, dessa forma, os cientistas podem elucidar pontos importantes da ação do medicamento sobre o vírus baseando-se em dados bibliográficos.  Entender estes mecanismos pode auxiliar em uma escolha terapêutica mais adequada e menos danosa ao paciente.

Todos os tratamentos em humanos devem seguir o uso monitorado de emergência de intervenções não registradas (MEURI), ou seja, ser eticamente aprovado como um teste, conforme declarado pela Organização Mundial da Saúde.  Até o momento existem mais 10 estudos clínicos sendo realizados com estas drogas, portanto mais respostas devem surgir nas próximas semanas.

Referências:

  • (Gautret et al., 2020)
  • (Hu et al., 2020)(Zhou et al., 2020)(Liu et al., 2020)(Cortegiani et al., 2020)(Touret & de Lamballerie, 2020)
  • Cortegiani, A., Ingoglia, G., Ippolito, M., Giarratano, A., & Einav, S. (2020). A systematic review on the efficacy and safety of chloroquine for the treatment of COVID-19. Journal of Critical Care, 3–7. https://doi.org/10.1016/j.jcrc.2020.03.005
  • Gautret, P., Lagier, J.-C., Parola, P., Hoang, V. T., Meddeb, L., Mailhe, M., Doudier, B., Courjon, J., Giordanengo, V., Vieira, V. E., Dupont, H. T., Honoré, S., Colson, P., Chabrière, E., Scola, B. La, Rolain, J.-M., Brouqui, P., & Raoult, D. (2020). Hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment of COVID-19: results of an open-label non-randomized clinical trial. International Journal of Antimicrobial Agents, January.
  • Hu, T. Y., Frieman, M., & Wolfram, J. (2020). Insights from nanomedicine into chloroquine efficacy against COVID-19. Nature Nanotechnology, 19–21. https://doi.org/10.1038/s41565-020-0674-9
  • Liu, J., Cao, R., Xu, M., Wang, X., Zhang, H., Hu, H., Li, Y., Hu, Z., Zhong, W., & Wang, M. (2020). Hydroxychloroquine, a less toxic derivative of chloroquine, is effective in inhibiting SARS-CoV-2 infection in vitro. Cell Discovery, 6(1), 6–9. https://doi.org/10.1038/s41421-020-0156-0
  • Touret, F., & de Lamballerie, X. (2020). Of chloroquine and COVID-19. Antiviral Research, 177(February), 104762. https://doi.org/10.1016/j.antiviral.2020.104762
  • Yazdany J, Kim AH. Use of Hydroxychloroquine and Chloroquine During the COVID-19 Pandemic: What Every Clinician Should Know(.2020). Ann Intern Med.; [Epub ahead of print 31 March 2020]. doi: https://doi.org/10.7326/M20-1334
  • Zhou, D., Dai, S.-M., & Tong, Q. (2020). COVID-19: a recommendation to examine the effect of hydroxychloroquine in preventing infection and progression. Journal of Antimicrobial Chemotherapy, February, 4–7. https://doi.org/10.1093/jac/dkaa114

 

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