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Máscaras faciais no contexto comunitário na pandemia do COVID-19

máscara-Coronavirus

A evidência científica sobre eficácia e aceitabilidade dos diferentes tipos de máscaras faciais para prevenção do coronavírus é escassa e contestável, até o momento. Inicialmente a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconizou a utilização de máscaras apenas para pessoas sintomáticas e profissionais da saúde. No entanto, em um comunicado sobre Influenza em 2019 ela reconheceu que o uso de máscaras pelo público geral pode ser interessante em pandemias graves, porque mesmo um efeito protetor parcial pode ter um grande efeito global na contenção da transmissão. Como no COVID-19 muitos pacientes são assintomáticos, a utilização de máscaras diminuiria o risco de transmissão.

Dia 4 de abril de 2020, o Centro de Controle de Doenças (CDC) publicou algumas regras sobre o uso de máscaras pela população geral:

1) Cubra a boca e o nariz com uma máscara de tecido quando estiver perto de outras pessoas;

2) Você pode espalhar o covid-19 para outras pessoas, mesmo que não se sinta doente;

3) Todo mundo deve usar máscaras de tecido quando precisar sair em público – por exemplo, ir ao supermercado ou para atender a outras necessidades;

4) As máscaras de tecidos não devem ser colocadas em crianças menores de 2 anos ou em quem tem dificuldade em respirar ou está inconsciente, incapacitado ou incapaz de remover a máscara sem assistência;

5) A máscara de tecido destina-se a proteger outras pessoas, caso você esteja infectado;

6) Não use uma máscara facial destinada a um profissional de saúde;

7) Continue a manter cerca de 2m entre você e os outros. A máscara de tecido não substitui o distanciamento social.

Embora faltem evidências concretas, alguns dados sugerem que as máscaras de tecido podem ser apenas 30% menos eficazes do que as máscaras cirúrgicas no bloqueio da emissão de partículas e também são mais eficazes do que não usar máscaras. A imagem abaixo mostra como a transmissão pode ocorrer com o uso ou não de mascaras.

mascaras-covid-19

Mesmo que o CDC tenha incentivado o uso da máscara de tecido, queremos reforçar que alguns cuidados precisam ser tomados para que a utilização das mesmas não provoque um aumento do risco de contágio:

  • A máscara deve ser dupla e de tecidos com porcentagem de algodão;
  • A máscara não deve ser tocada durante a utilização, e ao ser retirada deve ser manuseada pela alça;
  • Se as máscaras são movidas para um lado para comer, conversar, falar ao telefone, fumar ou respirar com mais facilidade, elas também se tornam ineficazes;
  • Colocar a mão debaixo das máscaras para coçar o rosto leva contaminantes;
  • A máscara deve ser utilizada num período de 2h e então deve ser trocada;
  • Se a máscara ficar úmida deve ser trocada imediatamente;
  • Ao chegar em casa coloque a máscara em um saco plástico se não for lavar no mesmo dia;
  • A lavagem deve ser feita depois de 30 minutos da máscara em água com sabão, água sanitária ou álcool 70%;
  • Não reutilize a máscara sem a higienização necessária;
  • O isolamento social ainda é a melhor forma de controle;
  • As outras medidas de higiene também devem ser mantidas, que aliás são mais eficazes, como lavagem correta das mãos.

De fato, a utilização da máscara protege muito mais quem usa de ser um potencial transmissor do que de adquirir a doença. No entanto, o princípio da precaução, que é definido como estratégia para abordar questões de dano potencial quando falta um amplo conhecimento científico sobre o assunto, se encaixa no contexto de pandemia global. E usada de maneira correta podemos ter efeitos positivos no controle de transmissão da doença.

Referências:

  • Davies, A., Thompson, K. A., Giri, K., Kafatos, G., Walker, J., & Bennett, A. (2013). Testing the efficacy of homemade masks: would they protect in an influenza pandemic? Disaster Medicine and Public Health Preparedness, 7(4), 413–418. https://doi.org/10.1017/dmp.2013.43

  • Greenhalgh, T., Schmid, M. B., Czypionka, T., Bassler, D., & Gruer, L. (2020). Face masks for the public during the covid-19 crisis. BMJ (Clinical Research Ed.), 369(April), m1435. https://doi.org/10.1136/bmj.m1435

  • Sahraei, Z., Shabani, M., Shokouhi, S., & Saffaei, A. (2020). Aminoquinolines Against Coronavirus Disease 2019 (COVID-19): Chloroquine or Hydroxychloroquine. International Journal of Antimicrobial Agents, 2019(xxxx), 105945. https://doi.org/10.1016/j.ijantimicag.2020.105945
  •  
  • World Health Organization. (2019). Anexo Non-pharmaceutical public health measures for mitigating the risk and impact of epidemic and pandemic influenza. In No. 2019/1. moz-extension://912bdac3-9b4b-481d-8764-f81051e9f027/enhanced-reader.html?openApp&pdf=https%3A%2F%2Fapps.who.int%2Firis%2Fbitstream%2Fhandle%2F10665%2F329439%2FWHO-WHE-IHM-GIP-2019.1-eng.pdf%3Fua%3D1%0Amoz-extension://d9e96470-5d79-0545-b475-24101b3a3883/en

  • World Health Organization. (2020). Advice on the use of masks in the context of COVID-19: interim guidance-2. Guía Interna de La OMS, April, 1–5. https://doi.org/10.1093/jiaa077
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Cloroquina e Hidroxicloroquina como tratamento de COVID-19: O que é verdade?

Os antimaláricos hidroxicloroquina (HCQ) e cloroquina (CQ) demonstraram um potencial antiviral in vitro.

Diante da atual pandemia de coronavírus (COVID-19) todos esperam pelo desenvolvimento de uma vacina para o vírus. No entanto, a previsão para uma vacina eficaz é de 18 meses, segundo a OMS. Nesse contexto, pesquisadores e médicos de todo o mundo estão à procura de um medicamento para tratamento. O desenvolvimento de um novo medicamento é inviável no momento, visto que para isso testes toxicológicos e de segurança precisam ser realizados; e estes despendem muito tempo.  Dessa forma, o comum é testar drogas sabidamente seguras em humanos para verificar sua efetividade contra o vírus.

Já foram testados vários antivirirais, antimaláricos e antibióticos disponíveis no mercado. Os antimaláricos hidroxicloroquina (HCQ) e cloroquina (CQ) demonstraram um potencial antiviral in vitro. A HCQ apresentou menor toxicidade e maior segurança nesses estudos. No entanto, os estudos clínicos com pouco ou sem controles foram realizados em grupos muito pequenos para determinar efetividade em humanos.

Os dados sobre HCQ e CQ foram espalhados sem cautela para a população leiga, o que levou à compra desenfreada e sem prescrição médica destas drogas, zerando os estoques disponíveis nas farmácias. A HCQ e CQ também são usadas em tratamentos de doenças autoimunes, como por exemplo, no lúpus eritematoso sistêmico e na artrite reumatóide. A compra indiscriminada e a ausência nas farmácias dessa medicação, gera um problema para as pessoas que realmente precisam do tratamento. Além disso, esse comportamento acende um alerta importante pois muitos países já estão reportando envenenamento pelo uso sem acompanhamento médico. Essas drogas podem causar efeitos colaterais importantes como arritmias e toxicidade cardíaca. Sendo assim, a utilização deve seguir orientações médicas.

Já existem mais de 50 artigos científicos publicados (nas bases de dados) com as drogas em questão. Mas até o momento os resultados efetivos para o tratamento da infecção por COVID-19 ainda são inconclusivos. Por exemplo, um estudo na França, sem controle negativo e com muitas falhas utilizou a HCQ em combinação com azitromicina e sugere eficácia, enquanto um grupo na China, não observou nenhuma melhora na taxa de recuperação. Outros autores, aplicando modelo animal SARS-CoV demonstraram que a CQ não foi capaz de prevenir a replicação viral in vivo.

Os mecanismos para entender como CQ funcionaria também vem sendo questionados. Apesar de já existirem pesquisas dessa droga em SARS-CoV; são necessários mais estudos. Um aspecto descrito pela Nature Nanotechnology revela informações que, provavelmente, a CQ inibe a endocitose celular de nanopartículas assim como dos vírus. O mecanismo sobre nanopartículas sintetizadas já foi estabelecido, dessa forma, os cientistas podem elucidar pontos importantes da ação do medicamento sobre o vírus baseando-se em dados bibliográficos.  Entender estes mecanismos pode auxiliar em uma escolha terapêutica mais adequada e menos danosa ao paciente.

Todos os tratamentos em humanos devem seguir o uso monitorado de emergência de intervenções não registradas (MEURI), ou seja, ser eticamente aprovado como um teste, conforme declarado pela Organização Mundial da Saúde.  Até o momento existem mais 10 estudos clínicos sendo realizados com estas drogas, portanto mais respostas devem surgir nas próximas semanas.

Referências:

  • (Gautret et al., 2020)
  • (Hu et al., 2020)(Zhou et al., 2020)(Liu et al., 2020)(Cortegiani et al., 2020)(Touret & de Lamballerie, 2020)
  • Cortegiani, A., Ingoglia, G., Ippolito, M., Giarratano, A., & Einav, S. (2020). A systematic review on the efficacy and safety of chloroquine for the treatment of COVID-19. Journal of Critical Care, 3–7. https://doi.org/10.1016/j.jcrc.2020.03.005
  • Gautret, P., Lagier, J.-C., Parola, P., Hoang, V. T., Meddeb, L., Mailhe, M., Doudier, B., Courjon, J., Giordanengo, V., Vieira, V. E., Dupont, H. T., Honoré, S., Colson, P., Chabrière, E., Scola, B. La, Rolain, J.-M., Brouqui, P., & Raoult, D. (2020). Hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment of COVID-19: results of an open-label non-randomized clinical trial. International Journal of Antimicrobial Agents, January.
  • Hu, T. Y., Frieman, M., & Wolfram, J. (2020). Insights from nanomedicine into chloroquine efficacy against COVID-19. Nature Nanotechnology, 19–21. https://doi.org/10.1038/s41565-020-0674-9
  • Liu, J., Cao, R., Xu, M., Wang, X., Zhang, H., Hu, H., Li, Y., Hu, Z., Zhong, W., & Wang, M. (2020). Hydroxychloroquine, a less toxic derivative of chloroquine, is effective in inhibiting SARS-CoV-2 infection in vitro. Cell Discovery, 6(1), 6–9. https://doi.org/10.1038/s41421-020-0156-0
  • Touret, F., & de Lamballerie, X. (2020). Of chloroquine and COVID-19. Antiviral Research, 177(February), 104762. https://doi.org/10.1016/j.antiviral.2020.104762
  • Yazdany J, Kim AH. Use of Hydroxychloroquine and Chloroquine During the COVID-19 Pandemic: What Every Clinician Should Know(.2020). Ann Intern Med.; [Epub ahead of print 31 March 2020]. doi: https://doi.org/10.7326/M20-1334
  • Zhou, D., Dai, S.-M., & Tong, Q. (2020). COVID-19: a recommendation to examine the effect of hydroxychloroquine in preventing infection and progression. Journal of Antimicrobial Chemotherapy, February, 4–7. https://doi.org/10.1093/jac/dkaa114

 

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O novo Coronavírus SARS-CoV-2

O coronavírus é um vírus envelopado de RNA fita simples que infecta humanos e diversos animais.

A atual pandemia do novo coronavírus (coronavirus SARS-CoV-2) acendeu um alerta em todo mundo. A doença começou na China e se espalhou rapidamente, já foram confirmados até hoje (inserir data) mais de 638 mil doentes, com mais de 30 mil mortes em 203 países, de acordo com o site da OMS.

O coronavírus é um vírus envelopado de RNA fita simples que infecta humanos e diversos animais. O vírus faz parte de uma subfamília, chamada linhagem beta, assim como o vírus SARS-CoV, responsável pela doença SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Se organiza com um nucleocapsídeo proteico (N), proteínas spike (S), responsável pela entrada nas células, uma proteína membranar pequena (SM), uma membrana de glicoproteína (M) e uma segunda membrana de glicoproteína (HE). 

O período de incubação médio é de 5 dias, e a frequência de assintomáticos ainda não foi completamente estabelecida. Os primeiros sintomas são febre, tosse, congestão nasal e fadiga, podendo ser facilmente confundido com outras infecções das vias aéreas superiores. No entanto, a progressão da doença leva a dispneia, pneumonia e sintomas respiratórios graves.

Foi observado diminuição da saturação de oxigênio, alterações nos gases sanguíneos e anormalidades pulmonares via raio-X que, normalmente, apresentam exsudatos alveolares e placas. Ensaios clínicos demonstram aumento de marcadores inflamatórios, como proteína C-reativa e citocinas pró-inflamatórias.

Nesse contexto, a fisiopatologia do vírus não está completamente compreendida. Estudos in vitro com o SARS-CoV, demonstraram alterações pulmonares à nível de alvéolos. São necessários estudos semelhantes para o SARS-CoV-2 para um completo entendimento da doença e seus desdobramentos.

A Uniscience apresenta soluções para laboratório na investigação do COVID-19. Apresentamos, além do kit de detecção através de PCR, cultura de células endoteliais microvasculares pulmonares primárias humanas e kits de meio de cultura para crescimento dessas células.

Referências:

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2019 International Congress of Genetics

Na próxima semana estaremos presentes no International Congress of Genetics e gostaríamos de convidar você para passar em nosso stand para conhecer o portfólio de produtos Uniscience, ver os lançamentos e produtos de nossos parceiros, participar da nossa promoção, e ver uma impressão 3D ao vivo!

Destaques para a Genética 2019

Aguardamos você!